terça-feira, 22 de setembro de 2009

Brasil lança Foguete


Imagina se o Brasil fosse organizado e investisse em projetos espaciais, como os EUA.

Os EUA me deixa impressionado, lá no centro espacial de Houston. No jornal dizia: ‘A cápsula espacial Odisséia descerá no Pacífico, 180 Km à sudoeste de Pago Pago na Samoa Americana. Sexta-Feira às 15 horas e 8 minutos.

A Odisséia desceu no Pacifico, 180 Km à sudoeste de Pago Pago. Na sexta-feira, às 15 horas, 8 minutos e 4 segundos. E em Houston todo mundo nervoso: “4 SEGUNDOS DE ERRO? O QUE HOUVE? O QUE VÃO PENSAR DA GENTE NO BRASIL? VÃO NOS TIRAR O APOIO. O QUE A FOLHA DE SÃO PAULO VAI DIZER?”.

4 segundos. Já pensou se o Brasil lançasse um foguete à lua? O lançamento ia ser em Manguinhos, por que tem muito espaço.

É, Manguinhos. Lá os cosmonautas vão de táxi, gastam menos. Plataforma de lançamento, todo mundo em volta. Falam para o garotinho: “Ô garotinho, sai daí meu filho. Olha o foguete aí neném, sai foguinho. Vai queimar a bundinha, afasta meu filho. Sai daí ô viado!!!”

- “Não pode passar aí não rapaz, olha o cordão de isolamento.”

- “Ah, é Deputado? Desculpa, pode passar.”

O cosmonauta lá em cima, nervoso, colocando santinho de São Jorge na janela da cápsula. E vem a contagem regressiva:

- “3, 2, 1, 0… ZEROOOOO”.

Um cosmonauta grita:

- “Queimou um fuzível. Transfere o lançamento.”

O comandante em terra responde:

- “Não transfere, senão a Petrobrás tira o patrocínio e ninguém lança mais nada. Chama o eletricista!”

- “Não tem!!!”

- “Como não tem??

- “Hoje é domingo, ta tudo fechado.”

No Brasil não tem eletricista, mas tem um cara que não é, porém quebra o galho.

- “Deixa comigo, que não tem pobrema. Paga uma Skol que eu quebro esse galho aí. De foguete eu manjo. Sou o rei do foguete, trabalhei quatros ano nos Fogos Caramuru. Foguete é comigo mermo.

Indo à cabine, falou aos cosmonautas:

- “Ô gente boa, acabou o conforto. Desce, que eu vou subir aí pra mandar a minha brasa.”

Aí descem os cosmonautas com aquela roupa enorme. Na altura do peito tinha escrito ‘Boticário’. Um cosmonauta fala para o outro:

- “Enquanto isso vamos tomar um café?”

- “Vambora.”

E o cara que subiu pra consertar é brasileiro. E o que todo brasileiro fala?

- “Não vai dar pra consertar aqui não. Tenho que levar pra casa.”

- “Como você vai levar o foguete pra casa?”

- “Eu tô com minha Kombi aí, rapaz. Tem bagageiro.”

E o pessoal que tava perto começou a falar:

- “Não deixa ele levar, que ele troca as peças.”

O comandante fala para ele:

- “Conserta aqui mesmo.”

- “Tá bom. Me dá um arame aí.”

E o cara engatilha o foguete. Voltam os cosmonautas ao som do coro nacional:

- “Bicha, bicha, bicha…”.

Os cosmonautas vão entrar na cápsula e aparece um guarda.

- “Os documento.”

- “Pô, sou cosmonauta.”

- “Orde é orde. Os documento, cadê a carteirinha?”

E não tem documento. São obrigados a tirar o capacete para se identificar e o chefe da operação não reconhece um dos três.

- “Quem estar você?”

- “Eu sou o Júlio.”

- “Julius? Os cosmonautas são Felício, Miguel e Benedito.”

- “É que o Felício ta com a patroa dele doente e me deu 50 conto para eu ir na vaga dele.

- “Você entende de foguete?”

- “Eu fui chefe de lotação.”

E alguém grita:

- “Deixa aí que esse é quente!”

Contagem:

- “3,2,1,0”

E lá vai a cápsula espacial brasileira. Mas ir não é importante, o importante é o dia de voltar. Porque é a hora do Brasil dar ao mundo uma demonstração prática de sua pontualidade. O porta-voz de Manguinhos declara:

- “A cápsula espacial brasileira, o Saci Pererê I, descerá num oceano. Provavelmente o Atlântico. Entre quinta e domingo, se não chover.”


Original: Chico Anysio


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